Crianças e jovens com um desenvolvimento psicológico mais saudável só traz vantagens!

Perspetiva diferente sobre a promessa e a dúvida

By Antonio Valentim • November 17, 2014 • Filed in: Ansiedades, Encarregados de Educação, Para um Equilíbrio Psicológico

Será saudável transmitir à criança a ideia que uma promessa é para ser cumprida? Desde sempre e com boas intenções, muitos pais tentam incutir na criança que uma promessa é para ser cumprida. Só que a vida demonstra-nos que muitas pessoas não respeitam o compromisso, que não depende apenas da boa vontade de uma delas. Quantos vigaristas, embusteiros, que juram com a mão no peito, olhos nos olhos, honrar o compromisso assumido? Que desilusão para quem foi educado na base da confiança! Qual é a melhor forma para se prevenir ou evitar situações destas, desagradáveis?

A melhor forma para que a criança (assim que ela souber lidar com a frustração) não se torne numa vítima ou seja arrastada ingenuamente, é transmitir-lhe a ideia que em certas ocasiões a promessa pode não se manter. Por razões alheias que nos escapam ou por a situação se ter alterado ou ainda por ter, entretanto, aparecido algo imprevisto. O mais importante perante uma promessa seria ensinar-lhe que, às vezes, muda-se de ideias, muda-se de opinião e que isso é humano. Porém, para se conservar uma coerência com o compromisso e com a criança, diga-lhe que se pode compensar o outro de outra forma ou que se o vai recompensar (evitar compensações materiais) por ter que passar pela alteração inesperada e maçadora. Em situações mais complexas e quando a criança tiver mais maturidade, deve-se-lhe indicar também que se pode recorrer à verificação da autenticidade daquilo em que cada um se compromete. Por exemplo, ensinar-lhe a recorrer a garantias, que peça e que conserve provas escritas, sem que isso seja visto como uma falta de confiança mas sim como fonte de tranquilidade e de respeito mútuo. Não há nada de chocante se isto preservar o futuro bem-estar de ambos. Mesmo assim, se o outro ficar chocado, aborrecido ou até irritado será melhor refletir sobre as boas intenções dele. Não se encontrará perante uma tentativa de manipulação “perversamuito bem apresentada?

Quantas situações desagradáveis se poderiam ter evitado se tivessem sido tomadas estas simples medidas de precaução? Ora aqui temos uma visão mais humana e realista daquilo que pode ser uma promessa e como abordá-la!

Por detrás duma promessa a dúvida pode manifestar-se. Desta forma, em vez de focar demasiadamente a importância duma promessa aconselha-se a ter também um olhar diferente sobre a dúvida.

Primeiro convém elucidar melhor o que é que a dúvida é, sentimento humano esse ainda mal compreendido. O que seria a vida sem dúvidas? Embora se pense que ter dúvidas é uma fraqueza humana ou um erro da natureza a se eliminar, na verdade, sem as dúvidas não haveria alternativas ou escolhas de vida possíveis. Tudo seria já destinado como um único caminho possível. Que lugar teriam as aprendizagens imprescindíveis, as experiências indispensáveis, para o desenvolvimento psicológico e para a construção da pessoa?

Dito duma outra maneira, sem as dúvidas não há evolução possível, o ser humano nem existiria. A dúvida é o “molde” que permite a cada um viver a sua experiência e crescer com ela. Instantaneamente e à primeira vista, sem a existência de dúvidas tudo pode parecer mais claro, mais simples, no entanto perde-se o verdadeiro sentido da vida. Que monotonia é a vida sem sentido!

Na verdade as dúvidas também não facilitam a vida. Mas… talvez os obstáculos na vidaDuvidas 2 não provenham das dúvidas, mas da relação que cada um mantém com o seu sentimento de dúvida. Porque este sentimento não é um inimigo mas um aliado. Então qual será a melhor forma para se lidar com as dúvidas?

Repetidamente, muitas pessoas são condicionadas a pensar que é preciso dissipar a dúvida antes de tomar uma decisão. Pensa-se que tudo será mais lúcido depois da dúvida se dissipar. Todavia, não só a mesma não desaparece como se vai fortalecendo. E, logo volta novamente a dúvida: será que se tomou a decisão correta? O humor da pessoa fica abalado e paralisa o pensamento adequado. Se se observar melhor a função da dúvida, se se descodificar a sua mensagem, verifica-se que conduz a pessoa à reflexão, a se ultrapassar e ir mais além para evoluir mais e mais ainda, motivando-a, estimulando forças e energia. Não é por acaso que o sentimento da dúvida nunca desaparece. É tão necessário que se manifesta toda a vida.

O que fazer então com este sentimento? Cada vez que sentir uma dúvida não tente escondê-la ou evitá-la, mas sim, seja sincero consigo próprio, com o que sente, respire fundo, recebe-a, aceite-a com generosidade e expresse-a. Tente compreender a mensagem que encerra e tente relativizar porque nada é absoluto. Não perca também as oportunidades que a vida apresenta para apoiar a criança a viver com as suas dúvidas, para que possa tirar melhor proveito da sua própria experiência. A dúvida incita à prudência, à humildade, a pensar antes de agir. É um “motor” energético para enfrentar a vida com mais segurança. Veja-se que desde muito cedo a criança aprende que para se movimentar, para poder andar, tem que aceitar o desequilíbrio. Desequilíbrio esse momentaneamente desagradável, sem dúvida, mas a que se seguem inúmeras vantagens. Da mesma forma a dúvida é um desequilíbrio momentâneo da mente para continuar a crescer e a se desenvolver psicologicamente.

Os problemas surgem extremados quando se duvida de tudo, quando se sofre com as dúvidas, quando são permanentes, quando se tem pouca autoconfiança, quando se vive numa constante procura de necessidade de reconhecimento pelos outros, quando se utiliza as dúvidas nas comparações redutivas, nas etiquetas depreciativas ou no querer ser melhor do que os outros. Aí o tal motor energético da dúvida pode tornar-se numa armadilha. Nestas situações as perguntas a se colocarem seriam: donde provém estas dúvidas? Que ideia tem a pessoa sobre o fracasso? Quem é que a levou a duvidar tanto? Quem lhe impõe uma forma de ser na vida que não lhe corresponde? A pessoa permanece numa angústia que a destrói lentamente e que inibe o que deveria realmente desenvolver-se nela para ser como os outros ou melhor do que eles. Que desperdício de tempo, de energia, de novos potenciais humanos possíveis! Os piores remorsos que se podem sentir no decorrer da existência não têm a ver com os fracassos, porque esses são, sim, verdadeiros ensinamentos para se evoluir, mas pelas ações irrealizadas por se ter duvidado doentiamente demais. Ao invés, no outro extremo, duvidar pouco ou quase nunca, para não se colocar em causa, por excesso de orgulho ou por elevada autoconfiança sobretudo artificial, pode colocar a pessoa em perigo e torna-a sem dúvida arrogante.

Enfrentar uma dúvida é decerto desagradável, mas também não é nenhuma ameaça, nenhum desgosto pela vida. Faz parte dos sentimentos desagradáveis de insatisfação provisória para se evoluir pessoal e relacionalmente. O essencial é desenvolver a sensação de progredir na vida mobilizando a inteligência, a criatividade e a capacidade de adaptação à realidade. Cada dia com as suas experiências participa na construção mental. Perante esta progressão há que aceitar às vezes o agir com dúvidas, o aceitar os seus limites e os seus defeitos, sem renunciar à ação para se melhorar a si próprio e para existir como pessoa distinta das outras. Desfrutar a vida passa necessariamente por saber viver com a incerteza, porque nunca se tem a certeza absoluta do que o amanhã nos espera. Porém isto não deve impedir cada um viver e usufruir a sua vida com objetivos e com promessas mesmo com dúvidas sem ficar abalado com as mesmas.

Proximamente será publicado um artigo sobre:

– Da traição à vingança… Como agir?

Resumo introdutório de apresentação do tema

Na vanguarda do conhecimento das relações humanas do século XXI, se se tentar perceber o que conduziu a pessoa a trair ou a ser traída, ajuda a ter uma perspetiva diferente e pode evitar sofrimentos inúteis. A traição acontece e é frequente! Com que certeza é que um casal lhe pode escapar? Mas também como é possível encarar uma traição como uma fatalidade, como se fosse algo de inevitável? O que é que a traição revela da própria pessoa traída?

Aconselha-se a ler também, no mesmo site, os artigos intitulados:

O que esconde a vontade de querer convencer?

Não seja vítima duma relação perversa narcísica!

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Não fique a viver situações dolorosas quando atualmente existem formas saudáveis para as ultrapassar!

Existem “ferramentas”, diversas soluções, estratégias práticas e eficazes retiradas da experiência, que se podem personalizar e serem ensaiadas na sessão.

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Comments

By José Rosado on November 20th, 2014 at 8:13 pm

Mais um bom artigo que mais uma vez nos ajuda a relembrar a nossa condição humana e para que talvez possamos gerir melhor algumas situações que encontramos no dia a dia.
Muito obrigado.

Alguém disse que uma das razões por o mundo estar tão mal é que quem é esperto tem dúvidas, hesita e muitas vezes não o faz, enquanto que quem não é esperto não tem dúvidas, avança e, ainda que na maior parte das vezes não tenha sucesso, são tantos (os não espertos) que o tentam que alguns acabam por ter sucesso.

Ter dúvidas é bom, é uma característica de um ser inteligente, desde que não seja um inibidor constante para a acção.

Bom artigo Valentim.

Mais um fantastico artigo educativo que nos faz reflectir interiormente sobre questões de grande interesse!
Obrigado pela partilha grande amigo António!

By Mª Dulce Costa on December 5th, 2014 at 9:31 pm

Eu como pessoa, a trabalhar aprendi que devemos aprender bem os fundamentos de nossa profissão, para termos um suporte para trabalhar, porque quando andava com muitas dúvidas tinha consciência de não trabalhar tão… mas estudei, reflecti, observei e depois sem arrogância só aceitava as dúvidas dos outros quando me soubessem provar por A+B que estava errada ou onde deveria fazer acertos… não me dei mal com a escolha… mas cada um é diferente. De qualquer das maneiras, uma coisa eu sei e aí o disse, desconfiar demais não é saudável e prende os pés… é preferível ir avançando e depois na hora resolver a coisa. É um tema muito pessoal e que depende da estrutura psicológica dos adultos.

By Lina Nascimento on December 27th, 2014 at 10:54 am

Obrigada Dr António por mais um artigo obrigatório de uma reflexão profunda.
A dúvida faz parte da nossa vida e a forma e a estratégia de lidarmos com ela, depende da nossa faixa etária e das experiências vividas.
Enquanto educadora, lido diariamente com a dificuldade com que as crianças se deparam em lidar com a frustração. Ao ajudá-las a aceitar os outros nas suas diferenças e nas suas infidelidades, proponho-me facilitar-lhes a lidar com as dúvidas que vão fazendo parte do caminho de cada uma delas.
Obrigada pela reflexão sugerida.

Mais um excelente artigo que nos conforta pela tónica de esperança na pessoa. Efetivamente é saudável ter dúvidas, partilha-las e ir encontrando respostas na interacção com os outros.
No Jardim de Infância observo k as crianças gostamde ppartilhar vivências; sinto que as tranquiliza a exposição e debate de ideias/dúvidas/possibilidades de resolução de problemas.

 

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