Crianças e jovens com um desenvolvimento psicológico mais saudável só traz vantagens!

PAIS MANIPULADORES PERVERSOS

By Antonio Valentim • June 29, 2016 • Filed in: Encarregados de Educação

PAIS MANIPULADORES PERVERSOS:

QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS NAS CRIANÇAS E NAS PESSOAS PRÓXIMAS?

Depois de ter publicado neste site artigos sobre pessoas complicadas, perversas, narcísicas, manipuladoras e as consequências psicológicas sobre as pessoas próximas, tenho recebido muitos pedidos de ajuda e de informação sobre a influência que estas pessoas, na sua qualidade de pais mantêm sobre os próprios filhos. Tornou-se, assim, fundamental escrever também um artigo sobre este tema. Tudo isto sem abordar ainda os casos que tenho, já há vários anos, acompanhado.

Porque é que se tolera a relação com uma pessoa manipuladora perversa? Como é que é possível continuar a não querer ver a realidade da existência da loucura destas pessoas? Como as reconhecer no dia a dia? Como se proteger delas e o que não se deve fazer? Numa época onde se dá muita importância à imagem, às aparências, à capacidade de argumentação será que esta insensatez terá tendência para aumentar? Qual será a motivação deste perfil de pessoas? As suas vítimas manifestam uma propensão injusta para pensar que o problema reside nelas, quando afinal ele se encontra nas pessoas manipuladoras perversas com quem mantêm uma relação. Todos os pais amam os filhos mas isto depende do perfil do pai. Qualquer pai acaba por manipular uma criança, mas onde se encontra a fronteira com a insanidade dessa manipulação?

Nem todos os pais amam os seus filhos com um amor incondicional. Pais perversos manipuladores manifestam uma enorme necessidade de se sentirem superiores aos filhos, de os dominar, de os amachucar psicologicamente, de os modelar pelo próprio prazer. Esforçam-se por maltratarem os filhos e estas ocorrências são muito mais numerosas do que se possa pensar. Ninguém gosta de ouvir dizer que existem pais que não amam os filhos. É um assunto aindaImagem 2 “tabu” e prefere-se ignorá-lo e dizer que eles amam-nos ao modo deles. Mas é uma visão errada que deve ser revista! Estes pais gostam de acreditar que amam os filhos quando vêem algum interesse nisso.

Ora há pais que não suportam que os filhos os ultrapassem, principalmente os do mesmo sexo (pai/filho; mãe/filha). Pais que estimulam doentiamente a rivalidade entre os irmãos. Pais que mantêm uma relação patológica com o dinheiro, com o bem-estar dos filhos, com o pagar o que devem, com o sentido de responsabilidade, com os afetos, com a sensibilidade alheia. Pais que incentivam os filhos para denegrir ou até para odiar o outro pai. Pais que tudo tentam para afastar as pessoas próximas que gostam dos filhos.

Não há pais perfeitos, portanto, onde se encontra o meio-termo?

Quem não é capaz de fazer coisas horríveis debaixo da pressão da ira ou num momento de loucura? Qualquer pessoa em momentos pontuais está apta para isso. Infelizmente há outras que se encontram quase permanentemente debaixo duma fúria encapotada. Alimentam um desprezo, conservam uma insensibilidade, sustentam um ódio frio mas bem lúcido com as pessoas que pretendem amar. Para muitas destas pessoas envolvidas numa relação afetiva (quer com adultos quer com os filhos) amar significa ser completamente dedicado a elas e quem não o fizer é rotulado de egoísta, de irresponsável. Quem não for amável, gentil, sorridente para com elas, seja qual for a circunstância, será considerado como mau, incluindo se for a própria criança. Quem não adivinhar o que elas pretendem, então só pode ser-se rotulado de idiota ou não gostar suficientemente delas. Recorrem também a discursos generalizados para não terem que assumir a responsabilidade das consequências desagradáveis da possível resposta (veja umImagem 3 exemplo clicando na Imagem Nº 3 ). Se uma situação correr mal a responsabilidade nunca é delas e quando corre bem tudo se deveu a elas.

Há pessoas que conseguem obter uma satisfação de poder quando colocam uma outra numa situação de sofrimento, quando lhe destrói a alegria. Ver alguém feliz incomoda-as tanto ao ponto de não suportarem a alegria dos seus próprios filhos (veja um exemplo clicando na Imagem Nª 4 ). Pior ainda quando alguma situação pessoal não lhes corre bem. Este abuso de poder sobre o outro transmite-lhes uma intensa sensação de força porque vivem num deserto emocional e quando surge esta satisfação de poder esta só pode ser vigorosa. São pessoas que não têm acesso a todos os sentimentos humanos de forma espontânea e supostamente normais, como por exemplo, a ternura, a contemplação, a empatia e mesmo a alegria de viver. Espezinhar o outro, submetê-lo ao seu jeito, desencadeia nelas a segregação de endorfinas que lhes proporcionam um sentimento de força e de bem-estar. Estes indivíduos possuem caraterísticas de pessoas manipuladoras perversas que estão à vontade num clima conflituoso e em cenários dramáticos. São as emoções, as mais desagradáveis da gama emocional (como a raiva), que elas entendem melhor. É como se precisassem de um elevado nível de noradrenalina (neurotransmissor) e de adrenalina (hormona) para se sentir existir. Aliás, sentimentos como a alegria de viver, a gentileza e a doçura são para elas disparates, não lhes dizem nada. Por isso, com estas pessoas manipuladoras quanto mais se for gentil, afável, paciente, amoroso e cheio de boa compreensão mais elas abusam reforçando-se a vontade de continuarem a se aproveitar da situação. Elas desconfiam destes sentimentos nobres (porque nunca os viveram enquanto criança) e quanto mais são utilizados mais se alimenta a paranóia nelas e mais a situação se complica para a criança. Repare na confusão mental em que uma criança seImagem 4a encontra tendo um pai com estas caraterísticas: se a criança não lhe for dedicada e gentil é egoísta e má, mas quando o é, é utilizada abusivamente ao serviço dele.

É uma trapalhada completa com as emoções (exageradas, desproporcionadas, inexistentes)! Se a  manifestação da alegria na criança incomoda estes pais com este perfil, a tristeza torna-os desdenhosos para com a criança. Porém o medo estimula-os, a raiva, essa, eles acham que é algo de bom e que a criança deve sentir isso. Estes pais manipuladores perversos perante um momento de tristeza da criança não conseguem ser consoladores, oferecer-lhe um aconchego, muito pelo contrário, tornam-se agressivos e desprezam a criança  (veja a Imagem Nº 5 com um jovem). Não há inteligência emocional demonstrada tão necessária para viver mais saudavelmente em sociedade!

Com estes pais manipuladores perversos a noção de esforço para ser agradável à família é quase inexistente. A família é que deve suportar a estado de humor deles. Na presença da criança qualquer mau humor desencadeado por fatores alheios faz com que ela se questione: o que é que eu fiz de mal para o meu pai ou a minha mãe estar assim? A criança endossa uma culpa irracional destabilizadora.

Imagem 5É compreensível que uma pessoa ao chegar a casa mal-humorada ou por não se sentir bem contamine as pessoas próximas. Normalmente, mais tarde ou no dia seguinte, a pessoa sente-se mal, sente-se envergonhada ou culpada, por ter contaminado os outros que não tinham nada a ver com a situação. Para ultrapassar este mal-estar naturalmente pede-se desculpa. A pessoa põe-se em causa, tenta reparar ou compensar e reflete como fazer para não repetir o mesmo.

Os manipuladores perversos, esses, não sofrem com o que fizeram, não manifestam remorsos. São as pessoas próximas deles que sofrem. É um alívio momentâneo quando eles projetam o seu  sofrimento. A estrutura mental infantil destes manipuladores não suporta a gestão sã das emoções, nem o sofrimento e “atiram-no” para os outros incluindo para a criança. Se, porventura, alguém da família se queixar por eles estarem mal-humorados, eles arranjam sempre maneira de ainda a culpar doentiamente, dizendo: “É por causa de ti!” Ora, levar a criança a sentir-se culpada de algo de que não é responsável, é fragilizá-la, torná-la confusa para a dominar melhor. Todavia suscitar à criança o sentimento de culpa em relação a um comportamento indesejado que ela cometeu, isto sim, é saudável e necessário. Eis a diferença essencial!

Para se alcançar uma sociedade mais saudável não se pode ficar indiferente ao sofrimento incutido às crianças. É um verdadeiro massacre psicológico o que certas pessoas imaturas afetivamente e destruidoras podem infligir às crianças, mesmo sendo os seus próprios filhos e a que ninguém deveria ficar indiferente. Aliás, a maioria das pessoas não é indiferente a isto. No entanto outras háImagem 6 que não querem ver ou não querem saber. A violência psicológica é demasiado destruidora a longo prazo para se deixar passar e colocar-lhe um pano por cima. Pode-se, e deve-se justamente, proibir a violência física mas as pessoas manipuladoras perversas vão substituir este tipo de violência pela violência psicológica, menos percetível certo, mas não menos destruidora.

Estes pais com caraterísticas perversas e manipuladoras acusam o outro daquilo que eles próprios cometem. É como um reflexo no espelho, o que em termos profissionais se chama de projeção. Agora pode-se colocar a pergunta seguinte: Como saber quem é que diz a verdade quando se acusam mutuamente? É o que me proponho tentar demonstrar com este texto.

Será possível haver pais que não amam os filhos?

A verdade é esta, existem pais que não amam os filhos, que os prejudicam de uma forma insuspeita e mesmo inimaginável para a maioria das pessoas. Possuem uma visão de amor inadequada, imprópria. Todavia isto não impede de serem capazes de apresentar com muita coerência, belas teorias sobre o amor, sobre a educação, sobre os valores éticos, mas que não conseguem pô-las em prática. Porque que é que não conseguem pôr estas teorias em prática? Porque não desenvolveram as estruturas mentais elementares para este fim. Aprenderam estas teorias através da memorização das suas leituras, o que lhes concede um mero aspecto intelectual, mas nunca viveram plenamente estas teorias. Para quem não tiver experiência suficiente sobre estes fenómenos perversos e pérfidos ou alguma formação adequada compreende-se que tenham alguma dificuldade em aceitar isto. Muitas vezes pode também não se aperceber da pessoa perversa que se encontra à sua frente, incluindo certos profissionais, por muita boa vontade que tenham.

Imagem 7Estas pessoas manipuladoras sabem apropriar-se da bondade e até do acordo das autoridades, sejam elas policias, mediadores ou mesmo juízes para dar a volta à situação a favor delas atormentando mais ainda o outro pai. Fazem tudo para destruir, até inventar se for necessário. Todos os meios são possíveis: fazer desacreditar, desonrar, recorrer a calúnias, a ameaças, a assédios e a chantagens.

No caso de um divórcio ou de uma separação com uma pessoa manipuladora perversa, esta, não hesita em instrumentalizar a criança para continuar a magoar, a torturar, o seu ex-parceiro ou ex-parceira e, com a ajuda do tribunal, até consegue que o/a ex fique sem a custódia da criança. Perante isto, há uma ausência de culpabilidade, há uma incrível tendência para denegrir, para caluniar e outros ataques sem escrúpulos às pessoas da família do/a ex incluindo mesmo a outras mais chegadas.

É verdade que frequentemente no momento de uma separação um dos pais ou ambos os pais se critiquem um ao outro. Isto resulta duma ferida provocada pelo choque emocional da separação. A diferença é que esta situação não se mantém a longo prazo por decorrer de um mero refexo emocional do momento. Porém, com uma pessoa manipuladora perversa a ação trata-se duma hábil estratégia voluntária persistente para desviar a criança do/a ex por ter ousado romper, opor-se ou fugir das suas “garras”. Tudo é feito para desacreditar o papel e a autoridade do outro pai (clique para o artigo e o vídeo: Separação Conjugal e o Prolongamento dos Conflitos, clique aqui para o vídeo). A criança acaba por ser doutrinada para rebaixar, para insultar, de forma continua e excessiva, o outro pai sem nenhuma verdadeira justificação. No final, corre-se o risco da criança perder injustamente o respeito por este pai. Perante uma situação desta dimensão é necessário perceber qual dos pais se encaixa neste perfil de manipulador perverso para não cair nas armadilhas da pessoa manipuladora.Imagem 8a

Repare no perigo que se pode correr com esta reflexão: Se as pessoas manipuladoras perversas são peritas em argumentar e se não se tem em conta a possibilidade da existência destas personalidades como é que um tribunal poderá agir sem cometer uma injustiça? Se os tribunais se baseiam em provas, em argumentos válidos, e como as vítimas de pessoas manipuladoras perversas não são peritas na argumentação, correr-se-á o risco de avaliar, sim, mas a favor da capacidade de argumentação da pessoa manipuladora e não se fazer justiça. Dito de uma outra forma, está a avaliar-se positivamente a inteligência da pessoa manipuladora perversa, que coloca toda a sua inteligência ao serviço da manipulação e da argumentação, em nome da justiça. A manipulação é tão subtil ou indetectável que é difícil de imaginar para quem desconhece as suas caraterísticas. O leme moral das pessoas manipuladoras perversas é: “se não fui visto, é porque não fiz nada”, sem nunca manifestar algum sentimento de culpa.

Não se pode continuar a fechar os olhos a estas situações, como se estas pessoas que destroem psicologicamente as crianças não existissem. Não se pode manter a ideia generalizada que todos os pais amem necessariamente os seus Imagem 9afilhos, que todas as mulheres (ou todos os pais) têm o instinto materno (ou paterno). Não se pode continuar a divulgar princípios, com boas intenções, de que uma criança tem que ter os dois pais para se desenvolver saudavelmente quando um deles é ameaçador para o desenvolvimento psicológico da criança. Não se deve continuar a fomentar a ilusão de que se uma criança não tiver ambos os pais está condenada a uma depressão ou a uma outra patologia.

Uma criança precisa essencialmente, pelo menos, dum adulto próximo que a ajude a ser o mais autónoma possível para, mais tarde, saber enfrentar a vida. Paralelamente, é preciso que esta criança ao crescer saiba impor aos outros o respeito por ela própria sem violência (autoproteção) e, ao mesmo tempo, respeitar os outros na diferença de cada um (clique para o artigo: O respeito por si próprio e o amar-se a si mesmo). Não esqueçamos que após a Segunda Guerra Mundial muitas mulheres ficaram viúvas, o que não as impediu educarem os filhos num contexto social onde era ainda mal aceite uma viúva envolver-se com um outro homem. Claro que se a criança tiver doisImagem 11 adultos, como uma mãe e um pai, melhor porque lhes facilita a vida. Porém, não é o mais importante por muito que certas pessoas possam continuar a defender a ideia que ambos os pais são sempre necessários mesmo que tenham personalidades manipuladoras e perversas. Como é que uma criança pode interiorizar os limites da normalidade na presença de um adulto com atitudes irracionais e instáveis? Pessoas com bons intuitos, incluindo certos profissionais, podem contestar afirmando que uma criança se adapta à personalidade dos pais. Adapta-se, certo, porque não tem alternativa! Mas em que condições é que ela se vai desenvolver se não houver alguém que a possa compensar, proteger e defender das manipulações perversas? Quais são as marcas que ficam enraizadas para toda a vida? Qual será o impacto na sua futura personalidade? Repare que se os próprios adultos próximos ficam destabilizados, para não acrescentar mais, em que estado fica uma criança que ainda não estruturou os mesmos recursos como os adultos?  

Pais adultos fisicamente mas imaturos e demasiado infantis noutros aspetos

Certas pessoas que se tornam pais podem ser adultos fisicamente, podem demonstrar que se expressam e argumentam perfeitamente, no entanto podem ser imaturos a outros níveis. Podem manifestar atitudes infantis, irresponsáveis e até cruéis. Não é preciso ser-se adulto nem inteligente para fomentar a violência. Agora, saber gerir uma situação complicada em que ambas as partes possam ganhar requer muitas mais estruturas mentais desenvolvidas que estes imaturos adultos lamentavelmente não possuem. Eles mantêm uma autoestima tão fragilizada, uma insegurança tal, uma insatisfação indefinida que desencadeia uma frustração doentia permanente, tentando compensar tudo isto com a falsa aparentemente boa imagem e com a dominação sobre o outro. A grandiosidade das aparências, que tanto procuram, serve para se defenderem do sofrimento, da humilhação que foram sujeitos desde a tenra infância, o que os tornam também muito sensíveis às humilhações e tentam compensá-las com um orgulho desproporcionado (vergonha e orgulho são as duas faces da mesma moeda). Desta forma, perante uma crítica, quando se sentem inferiorizados, eles tornam-se agressivos (verbal ou alguns até fisicamente) como forma de proteção desta inferioridade que foi abalada. Mais uma vez porque não têm as estruturas mentais necessárias para evoluírem com uma crítica, com um desacordo. Muitas das suas vítimas que vivem com eles ficam desconcertadas com estas atitudes infantis.

Imagem 11No dia a dia, qualquer pai manifesta atitudes infantis, o que não significa ser uma pessoa imatura. Bem como não se vai rotulá-lo por isso. Mas o que o diferencia dos pais manipuladores perversos é a incapacidade de se distanciar da pessoa adulta que são hoje com a criança que eles próprios foram. Este tipo de pais imaturos nega a especificidade da infância (a sua vulnerabilidade, a necessidade de uma criança se sentir protegida e amada incondicionalmente) e não reconhece a diferença entre uma criança e um adulto (veja um exemplo clicando na Imagem Nº 11 ). É esta distinção que permite uma boa comunicação entre a criança e o adulto. É necessário encontrar um são equilíbrio entre o sentir-se plenamente adulto e o manter-se ciente de ter sido uma criança. Doutro modo, o adulto não se sente à vontade no papel de adulto por não estar em contacto com a sua criança interior, nunca a interiorizou como tal. Dificilmente consegue associar uma emoção a um acontecimento da infância. Consequentemente, as suas carências, os seus medos, as suas raivas e tristezas, enquanto criança, vão-lhe inibir a sua personalidade e provocar muitas dificuldades nas relações incluindo com os próprios filhos. (Clique para o artigo: Como dar atenção à criança mesmo com pouco tempo disponível?)

Por sua vez, os pais maduros e crescidos afetivamente estão em paz com a sua criança interior. Souberam enfrentar os seus sofrimentos de criança e ultrapassá-los sem osImagem 12 negar, curá-los e crescer com os mesmos. Não andam por aí a afirmar que foi tudo muito feliz na infância ou, noutro extremo, passarem a lamentar-se persistentemente. São capazes de sentir uma grande variedade de emoções, de ouvir o ponto de vista do outro, de fazer concessões, de ser gentil sem segundas intenções e até de manipular de vez em quando mas sem levar à destabilização, ao sofrimento constantemente. Conseguem antecipar, pela abstração, as futuras consequências desastrosas que certas atitudes podem provocar na criança (veja na Imagem Nº 12 um exemplo de diferença na resposta possível). Ao invés, os imaturos manipuladores perversos querem ser levados a sério, mas não sabem assumir as suas responsabilidades com seriedade. Há um desfasamento entre o discurso e os atos.

Para se entender melhor ainda esta imaturidade afetiva é preciso compreender que as estruturas envolvidas na atividade básica das emoções estão presentes e muito ativas nas crianças. Todavia as Imagem 13estruturas e as ligações que permitem ter em conta o aspeto emocional da situação, adaptar o comportamento à realidade, tomar consciência das consequências dos atos, só amadurecem muito mais tarde. Este amadurecimento normal desenvolve-se até cerca dos 25 anos, mas esta maturidade nas pessoas manipuladoras perversas simplesmente não ocorreu. É a resposta adaptativa à realidade de todo um circuito de conexões afetivas que deveria estar estabelecido mas que não sucedeu (clique para para ver um curto video do INSERM sobre a neurociência dos afetos e veja também as Imagens Nº 13 e Nº 14 ).

Estes “adultos camuflados” estão bloqueados na fase de desenvolvimento egocêntrico, numa fase todo-poderosa e de pensamento mágico. Esta fixação nesta fase de desenvolvimento explica o porquê de tantas mentiras ditas com tanta firmeza e convicção que convencem qualquer um (por exemplo, dizer que são incapazes de fazer o que na verdade acabaram de concretizar e depois ainda respondem: “eu, alguma vez era capaz de fazer uma coisa destas!”). Perante uma afirmação assim qualquer pessoa, com empatia e sentimentos, sentir-se-ia culpada se duvidasse daquilo que acabou de ouvir. Eles afirmam que o que eles dizem é que é a realidade. Quem quiser fazê-los ver uma perspetiva diferente é posto de lado, tornam-se agressivos ou respondem que não se sabe falar com eles. O problema nunca é deles. Pretendem sempre levar o outro para a sua própria realidade (clique para o artigo: O que esconde a vontade de querer convencer?).

São como se fossem também crianças envelhecidas, e que se tornaram possessivas e ciumentas (veja um exemplo clicando na Imagem Nº 11 ). Note que estes sentimentos não têm nada a ver com o amor, como vulgarmente se pensa, mas com a insegurança interior de quem os sente. SãoImagem 14 sentimentos que vão buscar a sua força na infância. É como se fossem um mero reflexo atual de mágoas antigas, ligado por exemplo, ao medo de estar só, ao de fracassar, ao de nunca ser amado, reativando um sentimento de abandono. Lidar com estes sentimentos aprende-se ou trata-se para não se enveredar numa espiral descendente de amargura. (clique para o artigo: Da traição à vingança… Como agir?).

Estas “crianças envelhecidas” servem-se dos filhos, manipulam-nos para magoar, para destruir o outro progenitor recorrendo a mil e uma astúcia fora do olhar externo. Detêm um nível de insensibilidade, de indiferença e de barbaridade inconcebível para a maioria das pessoas. Todavia, isto não impede que sejam, ao jeito deles, grandes contadores de estórias. A questão mais importante é que são as pessoas mais próximas que sofrem e não eles (clique para o artigo: Não seja vítima duma relação perversa narcísicacom vídeo).

O que se observa na realidade

Muitos relatórios psicológicos descrevem que as crianças destas pessoas manipuladoras até são mais maduras do que é normal. Relatam que são crianças sobredotadas, resilientes, mas de facto são especialmente traumatizadas, vivem um estresse pós-traumático ou estão a criar um núcleo depressivo encoberto. Estas crianças apercebem-se desde muito cedo das necessidades destes pais manipuladores e adaptam-se. Elas aprendem a esconder os sentimentos. Os testes sobre o quociente de inteligência (QI) acabam por serem enviesados. Na realidade estas crianças de pais manipuladores são levadas a repetir discursos de adulto. São crianças que foram, desde muito cedo, tratadas como adultas num discurso de adulto para adulto, o que as impossibilita de viver uma infância sã e tornando-se depois em adultos com problemas psicológicos. Estas crianças até podem ter um tom autoritário, mas isto não tem que ser um indicador de maturação. Pode, sim, esconder uma outra problemática: ser impossível de não serem dirigidas, guiadas, por um adulto. Há que verificar sempre se o discurso da criança não é pré-fabricado.

Imagem 15Como os pais com estas caraterísticas de manipuladores perversos não assumem o seu papel de adulto responsável, a criança capta instintivamente a imaturidade deste adulto e habitua-se a querer protegê-lo, porque o ama de forma natural. Porque é que a criança o ama mesmo assim? Porque ela ainda não desenvolveu a capacidade de pôr em causa a educação que recebe. Há uma inversão de papéis destabilizadores para a criança (veja exemplos clicando nas Imagens Nº 15 e Nª16 ). Muitos aproveitam-se até da criança para fazer dela a sua confidente sem poupar, inclusivamente, os detalhes da vida sexual deles.

Porque é que estas pessoas manipuladoras são imaturas, insensíveis e arrasadoras? Porque se fossem pessoas minimamente maduras teriam alcançado um nível de sensibilidade pelo outro suficiente que as levariam a sentir o sofrimento nelas próprias (empatia) logo que vissem ou se apercebessem do sofrimento da criança. Esta capacidade de ser sensível ao outro é uma função social indispensável. É preciso que as estruturas mentais para este efeito estejam desenvolvidas. Efetivamente são estas estruturas que levam a pessoa a parar, a não manipular doentiamente, a não arrastar a criança para este caminho perverso. Sem afetos saudáveis fica aberto o caminho para a desumanização. Sem afetos é como se uma pessoa tivesse uma visão da realidade a preto e branco, originando dualidades do tipo ou tudo ou nada, forte ou fraco, perfeito ou com falta de discernimento, de sucesso ou de nulidade ou comigo ou contra mim. Ora a vida é colorida e é a variedade dos afetos que enriquecem a realidade.

Os pais doentiamente manipuladores sempre existiram mas este funcionamento mental ainda é mal conhecido, incluindo por profissionais de várias áreas que são forçados a lidarem com eles. Por muito insidiosos que os seus atos possam ser, estes pais manipuladores mantêm uma forma de agir suficientemente estereotipada para ser identificada. Não se pretende ser categórico mas é a forma deles agirem que é dum padrão quase inacreditável.Imagem 16 Há também colegas que já escreveram sobre estes fenómenos e continuam a receber muitas respostas de pessoas vítimas que os reconhecem e os identificam, de uma forma incrivelmente idêntica, o perfil do perverso que a manipulou. É conveniente conhecer melhor a estrutura de como estes pais manipuladores perversos funcionam (homem e mulher). Estar mais atento a certos cuidados e entender as suas fraquezas para as cercar da melhor forma.

Na realidade, estes manipuladores perversos também não têm a capacidade de abstração, ou seja, confundem o real com o virtual. Para eles, nomear é ser-se. O que eles vêem, a aparência que eles transmitem é a realidade. Por esta razão é que eles investem tanto nas aparências, na boa imagem. Basta que eles acreditem na personagem que atuam para o ser no real. Para eles o que foi dito é como se já o tivessem realizado. Daí não fazerem o que dizem (veja um exemplo possível clicando na Imagem Nº 17 ). O amor conquistado e dito em voz alta por eles não precisa de ser demonstrado. Quando há algo que não lhes agrada não se fala no assunto e ponto final, assim este assunto não existe. Depois quem o abordar ou o fizer relembrar é que será o mau da fita, será o culpado de tudo e o elemento destabilizador a afastar. Nunca é o problema em si que não lhes agrada, mas a pessoa que fala nele. Para uma criança em desenvolvimento esta visão da realidade é atrofiante.  

Imagem 17A noção da realidade destes manipuladores perversos faz lembrar a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra quando a mãe se ausenta da sala e a criança deixa de a ver, a criança chora, porque apenas conhece ainda o que os seus sentidos lhe indicam. Se ela não vê a mãe nada indica que a mesma continue a existir e a criança sente-se abandonada.

Porque que é que as pessoas manipuladoras perversas não sabem amar? (Veja um exemplo clicando nas Imagens Nº18 e Nº 31.) Porque para amar fica envolvido um conjunto de conceitos, eis alguns: é necessário a pessoa sentir-se segura, e elas não sentem essa segurança por haver uma enorme incerteza oculta nelas. É necessário a pessoa ser autêntica, o que elas não conseguem ser por atuarem no faz-de-conta. É necessário saber respeitar o espaço do outro, o que elas não o fazem por acharem que o outro deve ser propriedade delas. É necessário sentir empatia, o que não acontece com elas a não ser para com elas próprias, por não disporem de toda a gama emocional a funcionar adequadamente. É necessário ter uma generosidade sem esperar nenhuma contrapartida, o que não aceitam por serem interesseiras. Finalmente, amar é simples quando as estruturas cerebrais se desenvolverem adequadamente e funcionarem minimamente. Porém para estas pessoas manipuladoras amar é algo de patético por mero desconhecimento do que isto representa. Ninguém consegue descrever qual é o sabor de um sumo de fruta se não o saborear primeiro.

Quais são os erros mais frequentes que se perpetuam?

Já são anos de atendimento a pais desesperados, aflitos, por não saberem como ultrapassar uma situação destas.Imagem 18 Não se pretende atacar um pai a favor do outro, mas há que reconhecer que estas pessoas infelizmente existem. A seguir deve-se apoiar o parente desesperado a ultrapassar e a sair desta posição de sofrimento pelo melhor caminho possível. Repare e não se esqueça que não se consegue levar uma pessoa manipuladora ao raciocínio, apenas se pode enquadrá-la para evitar prejudicar os outros ou em situações extremas aplicar-lhe pressão para que retroceda (Veja o workshop Nº 8 disponível).

Geralmente, um dos piores erros que se comete com pessoas manipuladoras é o de argumentar, o de querer justificar-se. Porque é que isto é errado? Porque ao fazê-lo está-se a dar argumentos para que elas contra-ataquem e como já foi descrito que são pessoas peritas na argumentação, dificilmente serão vencidas. Querer restabelecer a verdade a todo o custo é um erro uma vez que a estas pessoas não lhes interessa a verdade. Por isso, elas próprias muitas vezes se contradizem. O que lhes interessa é destabilizar, ter a sensação de poder. Mantêm discursos complexos, recorrendo Imagem 19a palavras vazias de sentido, palavras infantis, mentiras pueris… Como é que se pode pretender responder com lógica, com bom senso, quando o objetivo destas pessoas é alimentar a confusão? (Atualmente disponho de workshops, de sessões de apoio para não cair e para sair destas armadilhas, veja uns exemplos possíveis clicando nas Imagens Nº 19 e  Nº 3 ). Elas querem sempre ter razão e para o conseguir é fácil, há um princípio básico em psicologia: basta opor-se continuadamente. Mesmo que seja ridículo é eficaz para a destabilização mental de uma pessoa, quanto mais à de uma criança com quem mantém uma relação afetiva (veja um exemplo clicando na Imagem Nº 20). Uma outra razão não menos importante é a que quem se justifica está ao mesmo tempo, e pode ser até de forma inconsciente, a sentir-se culpado. É desta forma que os manipuladores conseguem também que o outro se sinta culpado e que acabe por se sentir mais desvalorizado.

Como é que uma criança, que facilmente idealiza os pais, até pelo menos aos 10/11 anos, se pode sentir à vontade para desenvolver o seu sentido crítico para enfrentar a vida, manifestar os seus desejos, desabafar as suas mágoas, as suas frustrações com um pai com esta visão de ser na vida? A criança acredita no que os pais lhes contam, para muitas crianças idealizar um pai e amá-lo são sinónimos. É muito dependente deles. O resultado é que a criança para viver terá que se adaptar aos assuntos e às conversas que interessam a este pai. Há uma ausência sincera pela vida que esta criança possa estar a viver. Se estes pais egocentricos concentram tudo à volta deles e avaliam tudo em relação ao seu próprio interesse como é que podem ter capacidade para estarem atentos ao que a criança necessita de construtivo para ela, de a estimular saudavelmente?Imagem 20

A família nuclear destes pais manipuladores perversos, e as pessoas próximas, sabem da ausência de princípios morais e de compaixão que não há neles. Estes pais manipuladores reclamam ao tribunal, os seus direitos de terem a criança com eles, mas esta reclamação é para projetar a raiva, a vingança para magoarem o outro pai que tem verdadeiros sentimentos saudáveis. É para se colocarem no papel de vítima, para obterem a atenção e o controlo sobre os outros. Este controlo mórbido sobre os outros dá-lhes a ilusão de controlar a vida deles, para contrabalançar a fragilidade interior. São aspectos que se devem ter em consideração para não se cair nesta armadilha!

As pessoas manipuladoras agradam muito àqueles que as conhecem pouco, são-lhes amáveis, aparentemente generosos. Mas quando se prestar mais atenção aos fatos e às suas palavras prenunciadas verá que já não correspondem à realidade. Nada nelas é espontâneo. Tudo é segundo os seus interesses. Conseguem envolver uma pessoa, supostamente em nome da amizade, em Imagem 21compromissos que a leva a ficar encurralada, “açaimada” ou ainda mantendo-a numa confusão mental com uma sensação de estar em divida para com elas. Estas pessoas têm duas facetas, uma muito simpática e social para o exterior e uma outra interior de massacre e de crueldade perante a pessoa próxima. Recorrendo a uma metáfora, elas funcionam come se fossem uns televisores a preto e branco sem acesso às cores. O meio-termo não existe nelas. É-lhes demasiado complexo porque não têm acesso à variedade emocional humana.

Para destabilizar a criança, estes pais manipuladores utilizam várias “cordas” para a manipular como se fosse uma marioneta. Usam “cordas” simples como a sedução (por exemplo, com dinheiro, com falsas promessas,..), a dúvida, a intimidação, os gritos, as críticas, as ironias, as ameaças, as humilhações, a violência física, a desvalorização, a culpabilização e quando não conseguem alcançar os seus objetivos colocam-se numa posição fictícia de vítima (veja exemplos clicando nas Imagens Nº 5Nº 7Nº 21Nº 22Nº 23 e Nº34). São peritos em inverterem a situação a seu favor, acusando o outro daquilo que eles próprios cometem como se fosse sempre os outros que causam o problema.Imagem 22 Perante esta pressão permanente uma criança normal acaba por desenvolver um sentimento de culpa irracional. Há que frisar que há muitos pais que recorrem também a estas atitudes, mas de uma forma pontual ou por não saberem como lidar com a criança. Não são atitudes constantes nem é estratégico como com os pais manipuladores perversos. Por isso não são manipuladores doentios.

Os pais manipuladores perversos não têm acesso a todas as emoções humanas, não sentem vergonha, nem culpa, nem pena. Podem teatralizar estas emoções mas, na verdade, não as sentem. Eles retiram uma satisfação doentia quando colocam a criança numa posição de submissão. Outras das poucas emoções que eles sentem é a fúria quando a realidade os contraria ou ainda uma compaixão, mas com eles próprios, quando são confrontados com a sua responsabilidade. Imagine agora como pode ser complicado para uma criança desenvolver-se saudavelmente próxima de um adulto com estas caraterísticas, particularmente se não houver alguém que compense, que reequilibre, que se oponha, que impeça prejuízos maiores! Na realidade observa-se em muitos casos a presença dum adulto ou mais que impedem danos maiores na criança.

Imagem 23Um outro erro que se comete, perante os manipuladores perversos, é de tentar fazer entender que as pessoas visadas estão a sofrer com as atitudes deles, e que têm a esperança que eles parem com essas atitudes. Não vale a pena! Eles endurecem-se perante as queixas, desprezam-nas e acrescentam um olhar de repúdio inconcebível para uma pessoa com empatia.

Reações da criança e o que ela terá que suportar

Para uma criança com pais manipuladores logo que ela começa a andar, a demonstrar o seu carácter e a entrar na idade do “não”, ela começa a ser destabilizada. Mas isto porquê? Porque este tipo de pais gere mal as necessidades fundamentais da criança. Nem sabem quais elas são nem querem saber. Frustrados pelas exigências da criança, gritam com ela, ameaçam-na. Incapazes de lidar com a sua própria frustração tornam-se furiosos, brutos, iniciam uma chantagem intensiva e afetiva para com a criança e “brincam” com a dependência dela para com eles (veja as Imagens Nº 24Nº 25 e Nº 11).

A criança sente-se cada vez mais instável, ansiosa, e não tem outra alternativa senão agarrar-se mais ainda a este pai Imagem 24que ao mesmo tempo a desequilibra psicologicamente. Assim por questões de sobrevivência, ela é obrigada a aprender a dar prioridade a tentar adivinhar e em adaptar o que é que este pai espera dela, mesmo que não seja adequado à sua idade, ou melhor dizendo, à sua maturação. Nestas condições como é que esta criança pode desenvolver-se em harmonia se ela tiver que prescindir, negar, das suas necessidades fundamentais? As necessidades fundamentais não têm nada a ver com os caprichos infantis que, estes, sim, devem ser limitados, controlados (clique para o artigo: A frustração da criança e do jovem é uma dor de cabeça para os pais!).

Para evitar tensões não resta à criança outra opção senão a de se tornar discreta, aparentemente sossegada e tornar-se num “vassalo” conquistado e admirado-admirador do/pelo pai manipulador. O amor espontâneo tão necessário é substituído por uma busca constante de ser admirada pelos outros. Sejam quais forem os seus futuros sucessos durante a vida a criança arrastará sempre consigo uma sensação assustadora dum vazio interior e duma sensação desagradável de nunca poder ter sido quem ela queria. Mais tarde para tentar compensar algumas destas carências, destas falhas, ela até pode tornar-se numa pessoa perfecionista que nunca estará satisfeita com o que tem nem com aquilo que faz.

Noutros casos, também estas falhas, esta procura de reconhecimento, pode levar a criança a enveredar por profissões sociais de todo o tipo. Como é que isto é possível? Porque ao longo da infância foi condicionada a se esquecer como Imagem 25ser humano, a viver na negação de si próprio. Porque esteve sempre ao serviço deste pai manipulador. Na idade adulta, a pessoa repete este esquema mental com outras pessoas, ou seja, estará sempre ao serviço dos demais, sacrificando-se se for necessário. Esta forma de estar na vida ficou-lhe fixada na sua mente. Porém, a pessoa não tem que viver assim. Pode ter um acompanhamento adequado para retomar as rédeas da sua vida e não viver apenas para agradar os outros. (Clique para os artigos: O respeito por si próprio e o amar-se a si mesmo e Mas o que é que eu faço de mal para ele não gostar de mim?)

Na verdade, este pai manipulador tiraniza a criança e faz dela o que lhe apetece consoante o objetivo do momento presente. Pode tanto utilizá-la como uma arma contra quem ele quiser, nomeadamente o outro progenitor, como humilhá-la, afirmando que ela é uma estúpida, uma desmiolada, fazê-la sentir-se débil ou de ser uma incapaz quando comete algum erro e tudo isto sem escrúpulos desde que ninguém se aperceba. Inconscientemente quer que a criança seja despojada dos afetos e que se torne como ele. Mas, uma criança é espontaneamente alegre, sorridente, entusiasmada e amada. Naturalmente isto é inconcebível para ele. Tudo fará para “espezinhar” a criança para evitar que ela seja assim natural, espontânea, especialmente com alguém que ele não suporta, ou com quem está em conflito. Pouco importa a relação saudável que a criança possa ter com essa pessoa, o que interessa é o que ele sente. A criança, que vive no seu próprio mundo mágico ilusório e todo-poderoso deve manter-se ao seu serviço, seja como for.

Mas ainda há pior! E não pense que é exagero. Um pai manipulador perverso consegue ter uma satisfação doentia em frustrar sistematicamente os desejos da criança. Com o decorrer do tempo, ela acaba por não pedir nada, fechar-Imagem 26se nela própria e abrindo caminho para uma futura depressão. (Clique para o artigo: Depressão ou Estado Depressivo Passageiro.) Este sadismo com a criança pode ir ainda mais longe, onde ele lhe promete coisas que sabe de antemão que não são para cumprir, fomentando falsas esperanças, e assim intensificar a frustração na criança (veja exemplos clicando nas Imagens Nº 26 e Nº27 ). Quando o outro membro familiar se apercebe destas situações e intervém contra este pai manipulador… coitado dele… pois torna-se o alvo de represálias, de tortura mental. Com a repetição destes cenários diabólicos qualquer um que não saiba da existência desta perversidade manipuladora, que não esteja preparado para se defender dela, entra numa confusão mental ou numa despersonalização.

A relação que estas pessoas manipuladoras perversas mantêm com o dinheiro também é patológica (Imagem Nª28). São dotadas para ganharem dinheiro ou para se aproveitarem do dinheiro dos outros. As manipuladoras perversas do sexo feminino ainda são mais habilidosas nisso, mesmo que se queixam constantemente. Na verdade, mas que fosso que existe entre o discurso e os factos! (Imagem Nº 29)

O dinheiro é visto em função dos interesses do momento independentemente de quem for. As pessoas próximas, mais uma vez, ficam surpreendidas ao verificarem como são agarradas estas pessoas manipuladoras em certas áreas importantes da vida ou do dia a dia (por exemplo, com Imagem 27certas compras indispensáveis, com o aquecimento em casa, podem implicar com as luzes acesas, com o consumo de água para cuidar de um jardim, com a compra de roupas ou de peças de mobílias necessárias,…), no entanto são capazes de gastarem rios de dinheiro em coisas supérfluas, por interesse ou por desejo próprio. Oferecer uma prenda não envolve uma relação afetiva genuína apenas uma relação interesseira ou então para se exibirem. Para qualquer um o dinheiro é imprescindível, mas para estas pessoas manipuladoras é mais uma ferramenta de manipulação ao serviço do poder delas. O dinheiro serve para manipular nunca será para ir ao encontro dos interesses essenciais da criança (veja um exemplo clicando na Imagem Nº27). Com elas, nada é gratuito e um reembolso será dez vezes superior à dívida contraída de forma não material (preocupações, insónias, confusões…).

Depois de um divórcio ou de uma separação os pais manipuladores perversos (mais os do sexo masculino) começam a oferecer à criança prendas caras que qualquer um pensaria duas vezes antes de as comprar tendo em conta o valor e a idade da criança (por exemplo, telemóvel, computador, televisão última geração, roupas de marca; para os jovens uma mota ou até um carro novo, etc.). Percebe-se bem o lado irracional na escolha das compras, não há um objetivo pedagógico. É apenas para colocar a mãe em dificuldade. Pior ainda, quando ela tudo faz para transmitir a importância dos valores não materiais, que o amor comprado com dinheiro não deve ser um valor de vida, que ao aceitar afetos por dinheiro abre-se um caminho para sofrimentos. Ela que tem que assumir a gestão financeira para as compras mais importantes do dia a dia e quando este pai nem respeita ou nem paga a pensão alimentarImagem 28 estabelecida. Esta manipulação é fácil de perceber para um adulto mas para uma criança que gosta de ser elogiada, de ter a atenção e de ser aceite pelos seus pares é complicado abdicar desta manipulação.  

Em certos casos, esta manipulação para seduzir a criança é alternada com desvalorizações, com ameaças verbais que a impedem de agir saudavelmente. O paradoxo é que ela já nem sabe em quem acreditar. Se é no que vê, no que sente ou no que ouve. Ela perde o sentido da lógica. Entra num estado de vigilância, de estresse permanente. Torna-se desconfiada de tudo e de todos. O cérebro dela desinveste o raciocínio e gere apenas os reflexos, abrindo possíveis caminhos para traços paranóicos e para a despersonalização (veja a Imagem Nº 30).

Imagem 29As pessoas manipuladores perversas podem transmitir a ideia de serem duma grande generosidade mas é uma ilusão. Recorrem também aos valores morais, sendo para elas uma mera ferramenta ostensiva ao serviço das circunstâncias como engodo. O que elas pretendem sempre é alcançar o poder sobre os outro, controlá-los, para adquirir a ilusão, a falsa convicção, de se sentirem seguras e fortes. Contudo, este jogo de poder está na origem de muita infelicidade, de muita violência. Na infância, o que será que estas pessoas manipuladoras viveram de tão ameaçador, traumático, humilhante para interpretarem a perda de controlo do poder como se fosse algo de perigosíssimo e de ameaçador para a sua existência?

As futuras relações da criança

No futuro todas as relações humanas desta criança serão manchadas por vergonhas, culpas,Imagem 30 ansiedade ou impulsos agressivos fora de contexto. É todo um estresse que a leva a perder o sentido crítico, a manter-se constantemente atenta a satisfazer o que as pessoas próximas querem dela, como uma dificuldade desmedida em se opor às pessoas. A sua dependência doentia incutida e mantida à força por este pai faz com que ela, na idade adulta, manifeste também um medo inconcebível de ser abandonada, de ser rejeitada. Torna-se numa pessoa muito vulnerável à manipulação mental, mesmo tendo consciência que sofre numa relação que está incapaz de pôr um fim. (Veja as Imagens Nº 31Nº 32, Nº33Nº34 e Nº35.)

O que será fundamental para o bem-estar psicológico duma criança? Uma criança necessita de ser ouvida, compreendida e respeitada como indivíduo em desenvolvimento (clique para o artigo: Como valorizar uma criança para que se sinta aceite, compreendida e respeitada). A criança “sufoca” lentamente quando um pai manipulador não está disponível para compreender estas necessidades e quando não quer, por interesse próprio, responder adequadamente às interrogações que a criança possa colocar. Este respeito pela criança implica igualmente ajudá-la a nomear, a expressar e a explicar o que ela sente para ter uma boa imagem de si. Esta imagem que a criança terá dela deverá corresponder à realidade e não em função daquilo que um pai manipulador perverso quer fazer crer. As reações da criança deverão ser apropriadas ao dia a dia real e geridas Imagem 31com regras claras, firmes e constantes (clique para o artigo: A importância de se estabelecer regras e limites à criança). Da mesma forma, a criança deve interiorizar e ter a certeza que os seus desejos e as suas emoções lhe pertencem e não serem escondidas por recear as reações deste pai ou encenadas para se sentir admirada por ele. O problema é que estas necessidades de reconhecimento para com a criança não são tidas em conta. É demasiado complexo para este género de pai.

Quais são outras possíveis consequências que se podem manifestar na idade adulta desta criança? Como se pode compreender serão sempre devastadoras. Podem ir dum extremo ao outro. Adota e desenvolve as caraterísticas deste pai (sem ter a ver com a genética). Depois, se o contato entre ambos se mantiver haverá sempre muito conflito e tensão no ar nesta relação diria de “amor/ódio”. Ou então, mantém toda a vida um medo de ser abandonada, de ser rejeitada, uma tristeza em estar só, um desgosto em ser incompreendida e uma ira por não poder ser ela própria. Desta maneira reúnem-se as condições para que ela se encaixe no perfil ideal para se envolver numa futura relação perversa, como vítima submissa ou como manipulador perverso dominador.

Dito por outras palavras, nas futuras relações a pessoa, por um lado, para ser amada nega-se comoImagem 32 pessoa em si e como não gosta dela própria vai atrair sempre pessoas à sua volta que o vão confirmar ou, por um outro lado, pode encaminhar-se para o outro extremo doentio onde tudo fará para dominar os outros e, assim, fugir das suas mágoas bem vivas no seu interior.

Provavelmente, haverá pessoas que ficaram chocadas com este artigo na forma de tratar certos pais de manipuladores perversos, mas tenho acompanhado demasiados casos, recolhido muitos testemunhos, observado inúmeros factos, para me manter num silêncio inaceitável. Apresentar a realidade pode ser dolorosa no momento, mas permite a quem vive numa situação parecida identificar-se, distanciar-se para não ficar presa neste sofrimento. Possibilita também ver a situação de uma outra maneira e que existem saídas possíveis. Claro que cada pai é que deve estabelecer a sua própria relação com a criança, mas se pode integrar formas mais saudáveis porque não o fazer?

Tenho observado que pessoas que defendem os pais manipuladores foram, elas próprias, vítimas de pais com estas características. Preferem manter-se no silêncio, na negação dos factos para que se preserve a relação com este pai manipulador. São pessoas que provavelmente ainda não resolveram Imagem 33o seu passado e defendem-se psicologicamente desta realidade para não sofrerem. Contrariamente ao que se pensa, enfrentar a realidade mesmo que seja desconfortável ou até doloroso no momento é curativo, é libertador e supera-se. Pensar que se pode evitá-la para escapar ao desgosto, mantendo-se na ilusão ou no pensamento mágico, não permite à pessoa de evoluir e sofre da pior maneira e em silêncio. Conhecer melhor como os pais manipuladores perversos funcionam e estar ciente da realidade não significa que se deve cortar o contato com eles, mas ajuda a estar atento a não cair na manipulação. Isto, hoje, é possível alcançar com apoio. O verdadeiro poder vem de dentro de nós. Não há necessidade de controlar ninguém, nem a nós próprios nem aos outros para se ter confiança para enfrentar e desfrutar a vida que é curta, fugaz. Não nos esqueçamos disto!

Imagem 34Contudo, as consequências nas crianças com pais com estas carateristicas perversas manipuladoras são enormes e haverá ainda mais para se acrescentar, mas que ficará para próximos artigos (fruto de anos de estudos, de pesquisa e de observação). Espero que o conteúdo deste artigo possa ajudar algumas pessoas que se encontram em situações semelhantes a encará-las de uma forma mais objetiva, mais construtiva possível e que se depararam com alguns elementos de comparação para não se sentirem tão sozinhas.

Pretende-se também desmistificar a ideia que se tem de que os manipuladores perversos são muito inteligentes, porque de facto eles são inteligentes na argumentação mas a inteligência humana possui muitas outras capacidades que eles não desenvolveram. E é com estas outras capacidades que os podemos conter. Por fim realça-se, para nunca omitir, que eles destabilizam, enfraquecem, destroem mentalmente as suas vítimas até à depressão ou até à loucura em muitos casos. Depois, acusam-nas de serem loucas ou frágeis, mas esquecem-se que elas não estavam neste estado mental no início da relação com eles. (Clique também para o artigo: Depressão ou Estado Depressivo Passageiro)

Imagem 35

Convido cada um que tenha acabado de ler este artigo para deixar um comentário dizendo o que é que este artigo lhe inspirou, que dúvidas suscitou, que informação útil retirou ou que reflexão lhe mereceu.

Aconselha-se a ler também, no mesmo site, os artigos intitulados:

Separação Conjugal e o Prolongamento dos Conflitos

– O respeito por si próprio e o amar-se a si mesmo

Como dar atenção à criança mesmo com pouco tempo disponível?

O que esconde a vontade de querer convencer?

Da traição à vingança… Como agir?

 – Não seja vítima duma relação perversa narcísica!

A frustração da criança e do jovem é uma dor de cabeça para os pais!

Mas o que é que eu faço de mal para ele não gostar de mim?

Depressão ou Estado Depressivo Passageiro

Como valorizar uma criança para que se sinta aceite, compreendida e respeitada

A importância de se estabelecer regras e limites à criança

Os juízos de valor, nas relações, separam as pessoas

Só amor na família… não chega!

Numa nova era com escassos recursos financeiros não se terá que repensar a forma de como cada um estar na vida?

Perspetiva diferente sobre a promessa e a dúvida

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Comments

By Ana Rodrigues on August 26th, 2016 at 9:21 pm

Revejo-me tanto…a minha mãe devia ler isto e rever-se tanto :( sou uma adulta mais acreditada em mim devido a ajuda de psicólogo mas ate ha bem pouco tempo fui uma pessoa desacreditada em mim mesma, que tudo de mau que acontecia era culpa minha, por culpa pelo menos da minha mãe e o meu irmão, que me denegria e deitava abaixo a cada passo e ainda agora so o meu irmão é que é correcto eu não…mas ja consegui ultrapassar algumas coisas:( …mas…revejo-me tanto… :(

By Maria Carmo on August 28th, 2016 at 10:25 pm

Alguns pais são os primeiros bullies dos próprios filhos.

Mais um fantastico artigo e, ao mesmo tempo, “assustador” por “custa” a acreditar que existem pessoas com este perfil.
Este artigo ajudam-me imenso a entender algumas relacoes passadas, nomeadamente maes do meu filho e filha (sou um especialista a atrair tipas do mesmo genero), e de certa forma a tranquilizar-me pois por muitos anos pensava que por vezes eu estava “louco”. Por um lado é bom saber que isto não é fição mas uma realidade.
Obrigado amigo Antonio pela partilha mais uma vez!

Gostaria de partilhar aqui este video que acabei de ver e que, na minha opinião, reforça toda esta problemática deste artigo: https://www.ted.com/talks/nadine_burke_harris_how_childhood_trauma_affects_health_across_a_lifetime#t-3574

By Victor Filipe on September 2nd, 2016 at 5:54 pm

Depois de ter lido este profundo artigo nunca mais vou ver as pessoas que me tentam manipular da mesma forma. Obrigado por partilhar este conhecimento tão esclarecedor.

Há uns meses tinha pedido informação sobre os efeitos de um pai manipulador sobre os filhos, este artigo vai de encontro às minhas questões na altura e ao que acontece. Há pais que se amam mais a si mesmos do que aos filhos e não hesitam em prejudicar os filhos com seus jogos e manipulações, para ficarem bem.Agradeço este artigo, porque nos consciencializa que realmente acontece, que não é nenhuma
impressão, e que nos ajudam a salvaguardar os filhos desta espécie de pais.

Esse artigo é importantíssimo. Não existe futuro se não cuidarmos de nossas crianças.
Eu não sei se esse tipo de pais perversos, com o avanço da ciência, tem cura. Me pergunto também se os filhos desses pais um dia terão uma vida melhor, simplesmente não sei. O que posso dizer é que eu sofri todo esse tipo de abuso – fui chamada dos 06 aos 13 ou 14 anos de burra, retardada pelo meu pai e a minha irma. Minha mãe nunca fez nada. Ela não me agredia assim, mas fazia de tudo para que eu me sentisse assim. Tenho a impressão que ela não pode me ver feliz. Apanhei das piores maneiras possíveis, até de pau apanhamos, pelo meu pai, que um dia e por nada quebrou o nariz da minha irmã de 11 anos na minha frente. Minha mãe nunca fez nada. Foram tantas agressões verbais e físicas que dava para escrever um livro. Foram inúmeras agressões de ambos fizeram. Minha mãe foi professora e sempre manteve impecavelmente o papel de boa mãe, cuidadosa, atenciosa, dedicada. Mas dentro de casa, entre nós a verdade nunca foi essa. Hoje, depois de muito remédio e terapia, sei que bons pais não punem seus filhos deixando de falar com eles, ignorando, depreciando, espancando fisicamente, punindo constantemente.
Eu sou uma sobrevivente que sente vergonha em contar isso e não quero ser identificada, só conto para que outras crianças tenha uma chance que eu não tive. Faço isso na esperança que alguém as ajude.
Pela que vejo nada que vc faça muda esses pais, se vc é um adulto e percebe isso denuncie, não se cale.

Ler seu artigo foi muito importante pra compreender melhor os conflitos que existem na minha família e a confirmar as características que percebo em meu pai. O comportamento dele sempre foi tóxico, fazendo com que todos a sua volta fiquem mal, ele não fica feliz quando a conquista é dos outros ou quando algo bom é feito pelos outros. Além disso é “ótimo” em fazer discusos que falem sobre si e do quanto todo mundo depende dele, acrescentado-se a isso o fato de se envaidecer utilizando palavras difíceis sem nexo e frases feitas. Mas mesmo diante de tudo de ruim que ele faz- mentiras o tempo todo, sentimento de prazer por deixar alguém mal, ausência de remorso, uso da violencia fisica e psicologica, etc- a minha mãe insiste que temos que tentar entender e que ele não é como o descrevo ( com todas as características citadas no artigo), e que ele nos ama, em fim ela na maior parte do tempo quer que eu entenda e meio que tenta amenizar o que ele faz, o que não ajuda nenhum pouco. Confesso que todo esse comportamento patológico vivenciado desde a infância deixou sequelas como a depressão, gastrite, estresse constante e acho que isso só a resolverá com um corte total na relação. Mas em fim obrigada por disponibilizar esse artigo esclarecedor, me ajudou muito, espero que um dia eu consiga superar todos os traumas causados por ter um pai tão imaturo, irresponsável e manipulador!

Li seu artigo
Identifiquei totalmente a maneira como que meus pais me trataram a vida toda. Graças a Deus sofri e sofro sequelas psicologicas apenas internas, pois agora sou mãe e tenho plena consciência que não posso deixar esses traumas remotos influenciarem na educação do meu filho. Agradeço pela elucidação.

Excelente texto !
Claro, direto e revelador .
Fui vítima de pai e ex marido perverso manipulador e de mãe “frágil” , ” boazinha” , “coitadinha” e muito manipuladora, dominava por baixo.
Não foi fácil !!! Consegui sobreviver, com muita terapia, esforço próprio, muita leitura e vivências. Ufa!
Hoje sinto-me feliz e realizada.

Quando contava sobre o meu pai perverso, as pessoas diziam que era coisa da minha cabeça, afinal é muito forte o mito de que “os pais querem o melhor para seus filhos”. Precisamos derrubar essa crença limitadora.
O meu pai é o maior covarde que já vi no mundo, sempre fez a família duvidar da própria sanidade e orquestrou em casa a infelicidade permanente, com gritos, ameaças e falsas ajudas manipuladoras.
Não me deixou estudar o que eu queria, pois dizia que filho marmanjo não ia se dar bem na vida às custas do dinheiro dele. Graças a isso, nunca tive um bom emprego. Ele odeia nordestinos e pobres e também idolatra o Hitler.
Escolheu a minha irmã para se orgulhar, enquanto me marginalizou a vida inteira, além de tratar a minha mãe como eterna burra (burrice foi casar com ele, mas mulher… adora psicopatas e narcisistas! Os filhos que aguentem depois, o querido “papai”).
Há anos leio sobre esse tema, procurando um jeito de lidar com essas aberrações humanas e buscando conforto emocional para o grande vazio que ele incutiu em mim.
Este é um dos 2 melhores artigos que li sobre o assunto, parabéns e obrigado!

Obrigada!

 

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